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Números de um Plano de Negócios

Por Frederico Escobar, AEGContábil

Prezado leitor,

Todos sabemos o que é um plano de negócios. Porém meu objetivo é focar na parte dos números. Quanto a parte escrita, claro, tem suas regras e estruturas já pré definidas, mas a única coisa que um avaliador, seja um investidor, fundo, banco ou o governo, quer saber é se você entende do seu negócio e está preparado para gerenciar e cumprir o que está dizendo que acontecerá, se realmente conhece o mercado, concorrentes, se administra bem sua empresa e se está preparado tecnologicamente e psicologicamente para gerir essa nova realidade. Muitas vezes, dependendo do tamanho do investimento e das garantias, você pode ser colocado perante uma banca de especialistas que entendem do mercado focado no plano tanto ou mais que você. Sendo assim, não minta nem tente convencer com detalhes sem uma pesquisa prévia devidamente verificada. Procure citar fontes seguras de contingências de mercado, convergindo com a sua opinião. Bom, o objetivo deste artigo não é falar sobre a parte escrita, então vamos ao foco!

Vou comentar sobre três demonstrativos, na verdade os mais importantes para num plano de negócios na minha opinião. São eles:

1 - Quadro de Usos e Fontes (QUF)

Esse quadro resume todo dinheiro que entra e define sua fonte (ex: banco, capital próprio, receita gerada pelo próprio plano, reinvestimento, etc) e todo dinheiro que sai ou seja seu uso (ex: compra de máquinas, insumos, estoque, imóveis, obras, estruturas metálicas, reformas, marketing, equipamentos, etc.). No diagrama abaixo do BNDES os itens são os usos:

Daí vem seu nome "Quadro de Usos e Fontes". Alguns QUFs também tem projeção no tempo (QUF Projetado), ou seja, um fluxo com as datas das entradas das fontes e das saídas dos usos. É muito comum usarmos esse modelo para demonstrar reinvestimentos ou lucros do próprio plano utilizados como fontes num momento mais adiantado, onde já começamos a colher resultados. No QUF que você descobrirá o valor total do projeto e nele devemos ter todo o desembolso, seja financiado e/ou financiável ou não. Geralmente os bancos vão financiar de 60% a 90% do seu plano e cuidado, você precisará comprovar que tem a diferença para investir. Caso não tenha, opte por fazer o QUF Projetado, assim você poderá utilizar lucro do próprio plano para os investimentos próprios. Em alguns casos como Proger e Progeren (financiamentos mais simples) você precisará mostrar extratos com tal recurso. Prepare-se o que você mais vai ouvir e falar durante a confecção e apresentação de um plano de negócios é no QUF. Abaixo, modelo apresentado pela AEGContábil e aprovado pelo BNDES Prosoft:

2 - Demonstração de Fluxo de Caixa Projetado (DFC)

Essa é tranquila para nós contadores, é idêntica a uma DFC Direta, só que separada em períodos que podem ser anos, semestres, trimestres, meses, dependendo do giro do negócios. Geralmente ela serve para demonstrar como todo esse investimento descrito no QUF impactará o fluxo e a geração de caixa da empresa. Essa DFC deve ser de toda a empresa misturando o projeto com a operação já existente, mas devemos tomar cuidado pois pode ser necessário apresentarmos uma DFC somente do projeto. Essa DFC específica do projeto é praticamente nosso QUF Projetado. Alguns indicadores também vão surgir nessa DFC. Por exemplo o Payback Simples, Payback Descontado, VPL (Valor Presente Líquido), TIR (Taxa Interna de Retorno) e ICD (Índice de Cobertura de Dívida). Para quem não sabe, o Payback mostra o tempo (em meses por exemplo) em que o investimento (descrito no QUF) retornará em resultado. O Payback Descontado é o mesmo, porém deveremos deflacionar os valores dos resultados trazendo ao valor presente, sendo assim claro, será mais longo que o simples. No caso do VPL, precisamos somar todos esses resultados do Payback, desconsiderando o desembolso do QUF e trazer para valor presente, considerando claro, o período da geração do recurso. A TIR é parecida com a VPL mas o resultado é em % e leva em conta o desembolso do QUF. Por fim, o ICD compara a geração líquida de caixa com o pagamento das parcelas do financiamento gerado pelo QUF, ou seja, as fontes financiáveis e aprovadas. Abaixo, modelo apresentado pela AEGContábil e aprovado pelo BNDES Finame, Progeren e Proger da Caixa:

3 - Necessidade Líquida de Capital de Giro (NLCG)

Esse demonstrativo testa se o que você está falando que precisará de Capital de Giro realmente é o necessário. Ele também serve para demonstrar de onde vem a fonte do seu capital de giro, mesmo que ele não esteja no QUF. Esse Capital de Giro não estará no QUF quando ele já estiver no giro da empresa antes do início do projeto, o que estará nele é somente o acréscimo desse capital para suportar o aumento de produção. Esse demonstrativo não tem muito detalhe e é autoexplicativo, logo, vejam um modelo simplificado abaixo apresentado pela AEGContábil e aprovado pela BNDES Finame:

Bom, espero não ter sido muito técnico para uma melhor didática. Fique sempre atento com as garantias oferecidas no seu plano de negócios caso ele seja para captação de recursos. Elas são muito importantes para uma aprovação. Quando seu plano de negócios for aprovado ele deverá ser "transformado" num plano de ação e sempre faça a medição dos seus indicadores (KPIs), se você não sabe para onde está andando não saberá quando nem se algum dia chegará. Dashboards são bem vindos! Desculpe não falar sobre DRE, BP e outras peças contábeis projetadas, mas acredito que as que eu detalhei são mais específicas e importantes neste tema.

 

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